Leninismo Biológico

Por Spandrell

Traduzido por Adamastor

Já faz 100 anos desde a Revolução Russa. A União Soviética. Lênin e os Bolcheviques. Leninismo. Já se faz 100 anos, mas você percebe como a coisa toda permanece presente quando você olha para a imprensa nos dias de hoje. As pessoas ainda estão glorificando ou amaldiçoando a revolução. Como se isso ainda importasse. Como se isso fosse algo além de história. Como se a esquerda e a direita dos dias de hoje tivesse remotamente algo em comum com a esquerda e a direita dos dias de Lênin.

Não irei louvar Lênin, um homem mau. Mas grandes homens são frequentemente um tanto maus. Não me interesso por Lênin, o homem, mas me interesso bastante pelo leninismo. Lênin está bem morto (se não estiver enterrado, me pergunto pelo quê Putin está esperando); mas o leninismo está um tanto vivo. E a mídia ocidental acabou de notar que a China, a segunda maior potência do mundo, e em passo de se tornar a primeira em alguns anos, é um estado leninista. Demorou cinco anos com Xi Jinping berrando todo dia sobre a ortodoxia leninista do Partido Comunista Chinês para as pessoas perceberem. Agora, o Ocidente está com medo.

O Ocidente está com medo porque o leninismo é eficaz. Sim, certo, a União Soviética caiu em 1991; mas durar 74 anos não é tarefa fácil. E, em qualquer escala, o estabelecimento da União Soviética foi uma tarefa sobre-humana. Foi algo surpreendente, e toda a intelligentsia do mundo ocidental permaneceu surpreendida por várias décadas. O tipo de pessoa que lê o meu blog talvez não perceba isto, mas o marxismo era enorme. Na verdade, ainda é. O marxismo capturou completamente as classes intelectuais do mundo inteiro por mais de um século. Na China, ele ainda é a ortodoxia oficial, ensinado nas escolas. No Ocidente, ele ainda está conosco, na forma transformada do Marxismo Cultural.

É um hábito da direita especular o porquê dos intelectuais odiarem o capitalismo. Reagan tinha vários gracejos sobre isso. Como sempre, a direita era boa em contar piadas, mas simplesmente nunca entendeu o problema. E é por isso que perdeu, e continua perdendo, e agora temos o casamento gay e transsexuais negros se candidatando.

Para entender o marxismo, é preciso entender o mundo no qual Marx viveu. 1848. As Revoluções Liberais. A Europa tinha vindo de um longo caminho desde o feudalismo, passando pelas guerras absolutistas do século XVII, pela ascensão do estado moderno e então uma série de revoluções liberais começando na França em 1789 até 1848. Uma linha comum em toda essa história é a ascensão do estado burocrático. O Feudalismo é uma forma de governo bem natural. É basicamente a transposição de uma hierarquia de um exército conquistador para tempos de paz. A China começou assim, em 1046 A.C.. As tribos germânicas que conquistaram Roma Ocidental também operavam assim. O rei na guerra se torna o rei na paz. Os generais se tornam condes. Os coronéis se tornam viscondes. Todos ganham um pedaço de terra, um conjunto de regras de comportamento, um conjunto de deveres de lealdade.

O feudalismo funciona muito bem em manter a lealdade. Não é perfeito, é claro, depois de passadas gerações, os laços originais de lealdade entre companheiros de batalha não são bem os mesmos. Mas funcionou razoavelmente bem. O Feudalismo, tanto na China como na Europa, durou cerca de mil anos. O problema com o feudalismo é que é muito difícil de fazer qualquer coisa. É difícil aumentar os impostos, é difícil construir qualquer coisa. Todos são zelosos por seus status hereditários e não tolerarão a menor mudança. Então os otomanos chegam e o mais livre e descentralizado Reino da Hungria é massacrado em Mohács.

Um Estado, como qualquer organização, mas ainda mais, quer fazer coisas. Ele quer crescer, expandir seu poder e influência. Então o feudalismo levou ao absolutismo. E o absolutismo levou ao liberalismo. Estados Liberais eram fortes, possuíam exércitos de burocratas e rendas tributárias as quais os estados feudais só poderiam sonhar em ter. Porém, ao mesmo tempo em que eram eficazes, eles eram uma bagunça. O Feudalismo é bom em gerar lealdade. O Liberalismo é horrível nisso. E lealdade é muito importante. O problema fundamental da política é a distinção entre amigo e inimigo, disse Schmitt. Um amigo é alguém que é leal.

O século 19, o qual destruiu o Antigo Regime na Europa, foi uma era de ouro econômica e científica, porém, politicamente, foi uma bagunça. Uma revolução a cada década, governos que duravam meses, escândalos enormes toda semana. Eleições eram uma questão violenta e caótica. Se algo chegou a ser feito foi porque o caos político abriu caminho para a liberdade econômica, e o setor privado fazia as coisas. E fazia muitas coisas. Mas os intelectuais não gostaram disso. Os intelectuais são sempre o exército reserva da burocracia. Eles querem que o governo faça as coisas.

Com todos os avanços científicos dos últimos séculos, os intelectuais dos séculos XVIII e XIX estavam com a excitação transbordando com todas as coisas que poderiam fazer. Todos aqueles planos de engenharia social. Utopia na Terra! Isso parecia tão factível. E mesmo assim eles nunca puderam realizar isso por meio do processo político. Eles simplesmente não conseguiam realizá-lo. Os políticos e os burocratas não eram leais o suficiente. Sectarismo e brigas internas constantes tornavam qualquer reforma real impossível.

Isso é, até o leninismo. Agora, o leninismo é provavelmente mal rotulado. Lênin de fato fundou o Partido Comunista da União Soviética. Mas Lênin morreu em 1924. E a União Soviética ainda era uma grande bagunça em 1924. Foi Stalin, secretário geral do PCUS desde 1922, que, pelos métodos que todos nós sabemos, realmente construiu o Partido Comunista e estabilizou o governo soviético. O termo stalinismo é usado para se referir a seus expurgos brutais e à sua abordagem da justiça criminal, mas seria mais acurado usar o termo stalinismo para se referir ao que hoje chamamos de leninismo; a estrutura de governo de partido único dos regimes comunistas.

Fale o que quiser da União Soviética, mas o Partido Comunista era leal. Ele fazia as coisas. Toda coisa estúpida e louca que o Politburo aprovou foi feita. Sim, demorou um pouco para chegar nesse resultado. Stalin teve de matar muita gente. Mas não foi por meio de puro terror e crueldade que o partido comunista funcionou. O Partido Comunista tinha um sistema. O qual funcionou. Ele ainda funciona hoje na China. Você pode ter percebido como as pessoas hoje no Ocidente falam sobre a China nesses mesmos termos. A China faz as coisas, e as faz de forma rápida e barata. A China conseguiu o maior sistema ferroviário de alta velocidade do mundo no mesmo tempo que dura para cavar um túnel em Boston. E não com tanto dinheiro. Isso não é uma coincidência, é o leninismo trabalhando.

Qualquer país possui uma classe dominante. O que eu chamo de lealdade você pode também chamar de asabiya; a coerência de uma classe dominante como tal. A sua habilidade de se unir e de permanecer unida, mantendo a estrutura de domínio estável. O feudalismo entendia isso; a nobreza era a classe dominante, eles formaram uma sociedade muito separada daquela dos camponeses, e eles tomaram muito cuidado para que seu domínio nunca fosse contestado. A destruição desse mundo por iluministas liberais resultou em uma classe dominante a qual era ordens de magnitude menos coesa e ordeira. Você pode ser um libertário e argumentar que isso é uma coisa boa, e você pode ter certa razão. Mas qualquer organização quer lutar contra a entropia e assegurar sua estabilidade e reprodução. O liberalismo se mostrou historicamente incapaz disso. O leninismo foi a primeira solução para esse problema.

O leninismo é, certamente, socialismo aplicado. O socialismo era enorme antes de o leninismo sequer ser algo, e a razão de o marxismo ter sido e ainda ser popular não é só por causa do patronato soviético. O socialismo funciona hackeando o Módulo de Cálculo Social que nós humanos temos em nossos cérebros. Lembre-se, humanos se importam profundamente com status. Status é o que move o comportamento humano. Todos trabalham para conquistar mais status e para evitar perder status. O socialismo, certamente, vende igualitarismo. Ele diz às pessoas de baixo status que eles podem conseguir um pouco mais. A revolução industrial forçou milhões de camponeses cidades adentro, e todos eles sentiram que perderam status no processo. Economistas irão lhe dizer que o padrão de vida dos trabalhadores industriais (de acordo com certas medidas) na verdade melhorou. E isso pode ser verdade, mas os trabalhadores não achavam isso, e eles ficaram irritados.

Então esses socialistas chegam e os dizem que eles têm esse plano para fazê-los ganhar status, pra caramba. Isso foi enorme. Sim, claro, o Cristianismo também começou prometendo aos dóceis que eles eram moralmente melhores que os ricos; todos eles iriam para o céu, ao contrário daqueles pérfidos caras ricos. Mas isso não se traduziu ao verdadeiro status do mundo real. O socialismo estava prometendo bens reais. Isso ainda é enorme. Isso é basicamente um imã para os humanos. É um xeque-mate instantâneo.

O socialismo funciona não somente porque ele promete maior status para muitas pessoas. O socialismo é atraente porque ele promete status para pessoas que, no fundo, sabem que não deveriam tê-lo. Existe uma coisa como Lei Natural, o estado natural de qualquer sociedade humana normalmente funcional. Biologia básica nos diz que as pessoas são diferentes. Umas são mais inteligentes, mais atraentes, mais astuciosas e populares. Todos sabem, bem fundo nos seus cérebros de lagarto, como o acasalamento humano funciona: as mulheres são atraídas pelos maiorais. Sendo generoso, todas as sociedades humanas são padronizadas pela distribuição de Pareto, na qual 20% das pessoas são de alto status e todo o resto tem de tolerar a inferioridade pelo resto da vida. É simplesmente assim que funciona.

O socialismo então prometeu acabar com isso, e Marx mostrou que eles tinham um bom plano. Lênin pôs esse plano em prática. Exterminou a aristocracia natural da Rússia, e construiu uma nova classe dominante com um monte de pessoas de baixo status. Trabalhadores, camponeses, judeus, letões, ucranianos. Lênin saiu de seu caminho para recrutar todos que guardassem rancor contra a sociedade imperial russa. E isso funcionou brilhantemente. Os bolcheviques, um pequeno partido com pouco apoio popular, venceu a guerra civil e virou a impressionante União Soviética. A União Soviética inicial promoveu minorias, mulheres, desviantes sexuais, ateus, cultistas e todo tipo de gente esquisita. Todos menos os russos inteligentes e conservadores de boas famílias. O mesmo ocorreu na China, onde as 5 províncias que formavam a estepe mongol do sul foram unidas na “Região Autônoma da Mongólia Interior”, o que Sailer chama de “consolidar e render”.

Em países comunistas, pedigree é muito importante. Você não poderia ir longe no partido se tivesse um pouco de ancestralidade kulak, nobre ou de proprietários de terras. Apenas camponeses e trabalhadores eram confiáveis. Por quê? Porque apenas camponeses e trabalhadores podiam ser confiáveis para serem leais. Pessoas ricas, ou pessoas com traços natos que as levem a ser ricas, irão sempre ter status em qualquer sociedade natural. Eles sempre irão se dar bem. É por isso que eles não podem ser confiáveis; as riscos nunca são altos para eles. Se qualquer coisa, eles preferem ter mais liberdade para notar seus talentos. Pessoas da linhagem camponesa, entretanto, vieram da escória da sociedade. Eles sabem bem que tudo o que eles têm foi dado a eles pelo partido. E então eles serão leais até a morte, porque eles bem sabem que, se o regime comunista cair, o status deles irá cair tão rápido quanto um martelo em um poço. E o mesmo vale para todos os outros, especialmente para aquelas minorias étnicas.

Etnias eram complicadas, entretanto, porque elas tinham sempre uma artimanha que poderia aumentar seus status ainda mais: independência. Isso é o porquê da Rússia e da China, pouco depois de consolidar o regime, começarem a reprimir as etnias. Stalin famosamente expurgou os judeus do Politburo, usou a Segunda Guerra Mundial para restaurar boa parte do território do Czar, e governou um estado tão russocêntrico que as pessoas até hoje no Quirguistão falam russo. O mesmo na China, um fato pouco conhecido da Revolução Cultural foi o enorme e sangrento expurgo na Mongólia e a destruição de vários templos no Tibete. Depois de isso ser feito, o Partido Comunista se tornou essa forte, estável e suave máquina. A economia soviética, é claro, funcionava igual merda, e isso eventualmente resultou no colapso do sistema. Mas, como a China demonstrou, planejamento central é ortogonal para a política leninista. A China, é claro, tinha de saber. Ela vinha gerindo uma burocracia centralizada por milhares de anos. O leninismo foi só a completude do sistema.

Então, de novo, a genialidade do leninismo foi criar uma classe dominante do nada e fazê-la coesa por explicitamente escolher pessoas de grupos de baixo status, tendo certeza que eles seriam leais ao partido sabendo que eles tinham muito a perder. Isso funcionou tão bem que se tornou a maravilha das classes intelectuais do mundo todo por cem anos.

Enquanto isso, o que o Ocidente estava fazendo? O Ocidente, aquele obstinado inimigo do comunismo mundial, liderado pelos Estados Unidos. Qual foi a resposta americana para o comunismo? Olhe em volta. Leia Vox. Assista TV. Ok, isso é suficiente. Quem tem alto status no Ocidente hoje? Mulheres, homossexuais, transsexuais, muçulmanos, negros. Há até momentos apoiando pessoas gordas e deficientes. O que o progressismo está gerindo é hiper leninismo. Leninismo Biológico.

Quando o comunismo tomou a Rússia e a China, elas ainda eram sociedades semi-tradicionais muito pobres. Muitos camponeses semi-famintos por aí. Então você podia comandar um partido leninista tendo como base apenas ressentimentos de classe. “Nunca se esqueça da luta de classes”, Mao costumava dizer. “Nunca se esqueça que você antes era um servo e agora não é mais por minha causa”, foi o que ele quis dizer.

No Ocidente, embora, por volta de 1945, quando paz e ordem foram aplicadas pelos Estados Unidos, a economia melhorou a ponto de a luta de classes não mais funcionar como gerador de lealdade. A vida era boa, e todo o proletariado conseguia pagar por carros ou até por férias. A sociedade tradicional estava morta, as antigas escadas de status baseadas em pedigree familiar e em riqueza baseada na terra também estavam mortas. O Ocidente em 1960 era uma sociedade rica, industrial e meritocrática, onde o status era baseado no talento individual, na produtividade e na habilidade natural para se bajular adentro da classe dominante.

É claro que a política liberal continuou sendo uma bagunça. Nenhuma coesão na classe dominante, a qual não tinha motivos para se manter unida. Mas é claro que o incentivo ainda está por aí. Uma classe dominante coesa pode monopolizar o poder e coletar renda de toda a sociedade para sempre. O fantasma de Lênin sempre está lá. E a flecha da história continuou pendendo na direção de Lênin. O Ocidente passou a construir uma estrutura de poder leninista. Não abertamente, não como um plano consciente. Isso só funcionou desse jeito porque os incentivos estavam lá para todos verem, e nós os percebemos tão lentamente. Leninismo Biológico. Essa é a natureza da Catedral.

Se você vive em uma sociedade livre, e seu status é determinado por sua performance natural; então o que se segue para construir uma classe dominante leninista coesa é recrutar aqueles que são naturalmente de baixo status. Em qualquer sociedade, os homens têm mais alta performance que as mulheres. Eles são mais fortes, eles trabalham com mais afinco, eles têm uma maior variância, o que significam que eles têm uma curva direita mais gorda em todas as características (mais gênios); e eles têm o incentivo para realizar o que o mercado natural do acasalamento provém. Isso é patriarcado pra você. Agora, eu não quero sobrecarregar a parte da biologia aqui. Não é o fato de todos os homens serem melhores trabalhadores que as mulheres. Em um patriarcado, há muitos status não merecidos para os homens. Mas é assim que funciona: O cerne da sociedade é a performance natural dos homens; esses homens irão naturalmente construir uma sociedade que os beneficia como homens; alguns homens pegam carona nisso, algumas mulheres ganham um mau negócio. Um monte de inércia estrutural aqui. Mas o cerne é real.

Para ir direto ao ponto: Em 1960 nós tínhamos um patriarcado de homens brancos. Aquilo era perfeitamente natural. Toda sociedade com uma proporção substancial de homens brancos acabará sendo governada por uma cabala de homens brancos. Muito de sua biologia; parte do seu também capital social, boas práticas culturais acumuladas desde o século XV. Homens brancos simplesmente conduzem as coisas melhor. Eles são naturalmente de alto status. Mas, de novo, a natureza abre espaço para política desorganizada. Não há valor social em admitir a verdade: Todos podem vê-la. A sinalização de valor está nas mentiras, no não natural. Como Moldbug coloca:

O absurdo é uma ferramenta organizacional mais eficaz que a verdade em muitas maneiras. Qualquer um pode acreditar na verdade. Acreditar no absurdo é uma demonstração infalseável de lealdade. Serve como um uniforme político. E se você tem um uniforme, você tem um exército.

Ou, como os chineses colocam: aponte cervo, faça o cavalo.

A questão de novo é que você não pode gerir uma apertada e coesa classe dominante de homens brancos. Eles não precisam ser leais. Eles irão ficar bem de qualquer jeito. Um jeito muito mais fácil de gerir um partido leal e obediente é recrutar todos os outros. Mulheres. Negros. Gays. Muçulmanos. Transsexuais. Pedófilos. Essas pessoas podem ter alto desempenho individualmente, mas em uma sociedade natural, dominada em seu cerne por pessoas com desempenho alto, isso é, um patriarcado branco, eles não teriam um status muito alto. Então se você os prometer alto status em troca de lealdade, pode apostar que eles entrarão em seu time. Eles têm muito a ganhar e pouco a perder. A coalizão das margens, Sailer chama. É pior do que isso, na verdade. É a coalizão de todos que perderiam status à medida que a sociedade fosse mais bem governada. É a coalizão dos ruins. Literalmente uma caquistocracia.

Existe uma razão porque há tantas mulheres gordas más no governo. Onde mais elas estariam se o governo não as quisesse? Não há nada de especial nelas exceto a filiação à máquina do Partido Democrata. O partido dá a elas tudo o que elas têm, do mesmo jeito que o Partido Comunista deu tudo para aquele rapaz camponês medíocre que virou um burocrata mediano em Moscou. E não me faça começar a falar dos muçulmanos e dos transsexuais hostis. Essas pessoas costumavam ser expulsas ou recolhidas em asilos antes de 1960. É por isso que o progressismo americano gosta tanto deles. O pouco que essas pessoas têm depende completamente do patronato da esquerda. Há uma barganha do diabo aqui: o quanto mais naturalmente repulsiva uma pessoa for, mais valiosa ela será como membro do partido, assim como sua lealdade será de todo mais forte. Isso com certeza é o que está por trás da Primeira Lei de Larry Auster sobre relações de minorias: O quanto pior um grupo se comporta, mais a esquerda gosta dele.

Isso também é o porquê de a esquerda hoje ser a mesma esquerda que gostava do comunismo soviético de antigamente. O que eles aprovam hoje iria escandalizar qualquer esquerdista dos anos 20. Ou até um dos anos 50. Mas é tudo a mesma coisa, seguindo os mesmos incentivos: como construir uma classe dominante coesa para monopolizar o poder estatal. Costumava ser a luta de classes. Agora é luta de gênero ou luta étnica. Luta étnica funciona nos EUA porque os imigrantes não têm uma base de poder territorial, diferentemente da Rússia ou da China. Então, o velho jogo de dar status para minorias de baixo status funciona melhor do que nunca. Funciona até melhor, diferentemente da Rússia de Lênin, os Estados Unidos agora têm acesso a cada minoria da terra. É por isso que a esquerda americana está ocupada importando o máximo de somalis que ela pode. A minoria de menor desempenho da terra. Simplesmente perfeito.

Se você acha que não pode ficar pior do que transsexuais e pedófilos, você realmente não está entendendo como isso funciona. Olhe esse artigo do NYT: uma mulher negra, ex-condenada, condenada por matar seu próprio filho de quatro anos de idade. Ela passou vinte anos na prisão, os quais ela passou estudando sociologia ou algo do tipo. Depois de sair da prisão, ela se inscreveu em um PhD em Harvard, no qual ela foi rejeitada. Os progressistas sacaram em armas. Como você pôde!

Vá para o link e olhe para aquela mulher. Olhe para aquela cara. Ela nunca expressou qualquer remorso por matar seus filhos. Ela mentiu sobre isso na inscrição para o PhD. Ela eliminou o corpo e nunca disse aos policiais onde o corpo do filho dela estava! Isso é total e completamente psicótico. Ninguém em mente sã iria querer se envolver com essa mulher de qualquer maneira. Mas isso é precisamente o ponto. Na maioria das sociedades humanas até 1900, ela seria morta legal ou extralegalmente. Mas precisamente esse tipo de pessoa, alguém que de maneira justa deveria ser a pessoa de menos status na terra; esse é exatamente o tipo de pessoa que a esquerda quer em sua equipe. Você pode contar nela lealdade extrema com qualquer tipo de ideia progressista que o partido a transmita. E então, sim, claro, ela conseguiu seu PhD, na Universidade de Nova York. E diferentemente de 97% dos estudantes de PhD por aí, você pode apostar que ela conseguirá uma docência totalmente titular muito em breve.

Sim, isso é tudo loucura, mas funciona. Isso realmente funciona como um encanto. As partes mais ricas dos EUA, Califórnia e Nova York, são agora um partido único. Os EUA têm uma legislação que força todas as empresas privadas de tamanho possuírem uma proporção de mulheres, negros e desviantes sexuais; os quais, é claro, sabem que não pertencem ali, e são portanto comissários políticos fiéis. Mais fiéis do que os comissários políticos oficiais que a China comunista também tem em suas companhias privadas.

E o leninismo biológico também é extremamente poderoso no estrangeiro. Do mesmo jeito que o comunismo soviético tinha quinta-colunas naturais pelo mundo, com trabalhadores industriais formando partidos e executando as ordens de Moscou pelo Ocidente; o leninismo biológico americano também é um forte meio de agitação pelo mundo todo.

Os Estados Unidos têm sido a única superpotência na terra desde 1991. Mas isso está mudando, com o crescimento chinês chegando à paridade econômica com os EUA, e a Rússia começando a criar coragem, muitos países não estão seguindo a linha do governo americano. O Sudeste Asiático agora é o quintal da China. Então agora os Estados Unidos estão organizando uma campanha de agitação no mundo inteiro tentando minar a influência russa e chinesa. Como sou mais familiar com a China, é muito óbvia a linha do governo americano. Apelar para mulheres e homossexuais para se tornarem a sua quinta-coluna. E está funcionando. Cada artigo que você vir por aí de um chinês escrevendo sobre como a China deve ser mais progressista (isso é, mais americana) é escrito ou por uma mulher ou por um homossexual.

Eu li este artigo há um tempo atrás, o qual é enfurecedor. É sobre um acelerador de partículas que a China está construindo. Uma escritora sino-americana entrevista o cientista chefe lá: e tudo o que ela faz é minar seu projeto, falando como a censura comunista significa a contaminação de todo o projeto. O cara não entende. Por que você está fazendo isso comigo, você não é uma companheira chinesa?

Não, ela não é. Você sabe o quê ela é? Uma mulher feia nos seus trinta anos. Eu conheço a China bem, e mulheres feias nos trinta não têm status tão altos na China hoje. Diferentemente do Ocidente, onde elas são a polícia de pensamento voluntária, e você não pode nem olhar para elas. Então, naturalmente, qualquer mulher feia nos trinta seja ela chinesa, russa, saudita, ou indonésia, na extensão que é dado acesso a ela à propaganda americana, vai virar uma quinta-coluna contra a independência do país dela. E é claro que o mesmo vale para minorias étnicas, quanto mais burro melhor. Você quer receber financiamento como um expert da China na academia ocidental? É melhor você estar pesquisando sobre uigures ou tibetanos. Aquelas minorias burras e hostis. Muito mais importantes do que a civilização mais antiga da terra.

A questão claramente é como o leninismo biológico irá evoluir. Tanto o leninismo chinês quanto o russo mudaram muito durante suas permanências. Stalin expurgou fortemente o partido e, depois de algumas décadas, quando todas as memórias da era pré-soviética tinham sido desvanecidas, e seu poder estava seguro, o PCUS começou a promover homens russos de alto desempenho (pelos requerimentos de um partido político, não de um departamento de ciência de foguetes.). Os quais não se importaram muito quando o estado soviético entrou em colapso. Eu acho que eles estão bastante bem agora. O mesmo na China: Hoje o PCP não é de modo algum um partido de camponeses e de trabalhadores. É um partido do melhor-cara-da-classe. A lealdade não é garantida pela ameaça dos proprietários de terra voltando para tornar eles e seus filhos servos; ela é garantida por uma vigilância de última geração e por um aparato de propaganda. Note que tanto a Rússia quanto a China mantiveram a luta de classes como a ideologia oficial a qual todos eram (e são) forçados a repetir incessantemente para continuar com seus empregos.

Mas é exatamente isso que os torna vulneráveis aos ataques progressistas. Eu recentemente postei sobre como mulheres e as minorias têm menos poder do que antes na China. Sem contar com desviantes sexuais. Sem políticos gays na China. Apenas isso faz uma enorme circunscrição de centenas de milhões de pessoas na China que prefeririam um governo progressista. Essas são as pessoas que os Estados Unidos estão abordando agora, diferentemente da estratégia anterior de vender a democracia e a economia de livre mercado para a classe média chinesa. Isso não parece tão bom agora porque a classe média chinesa indiscutivelmente tem um padrão de vida maior do que o da americana. Certamente menos estressante.

Vamos assumir (esperar) que a Coalizão das Margens americana não obtém sucesso em desestabilizar países estrangeiros. Mas como que isso vai evoluir? De novo como eu disse, tanto a Rússia quanto a China pararam com suas caquistocracias camponesas depois de algumas décadas. Mas elas já tinham ditaduras nominais de partido único, e séculos de tradição autocrática para se alimentarem. Os EUA ainda estão 20 anos (se não 10) longe de um regime de partido único; e têm uma tradição de democracia adversarial a qual torna muito difícil parar a catraca. Mesmo se ela parar, a ideologia já está lá. No melhor dos casos, no qual o regime de partido único do Partido Democrata faz seu Stalin purgar o país de agitadores e estabilizar o regime, você ainda terá a retórica de 2020 congelada como a religião do estado: Mulheres são sagradas, não se pode nem mesmo fazer piadas sobre elas, Islã é paz, transsexuais podem mudar retroativamente suas certidões de nascimento. Não é OK ser branco. Homens brancos podem gerir o país, mas eles têm de repetir essas coisas cinco vezes ao dia olhando para o Grande Zimbábue.

Ou a Brasilificação colapsa a economia e tudo vai pro inferno. É, isso é mais provável.

Artigo Original: https://spandrell.com/2017/11/14/biological-leninism/

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